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Não é o Brasil que é da Vale, diz Lula

Fernando Haddad: o ministro de Lula que vai baixando a guarda do mercado

Na condução de reformas importantes, Haddad tem ganhado cada vez mais a confiança dos operadores financeiros

fernando haddad
Nome comleto:Fernando Haddad
Data de nascimento:25 de janeiro de 1963
Local de nascimento:São Paulo (SP)
Formação:Bacharel em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP)
Ocupação:Advogado, professor e político
Principais cargos na vida pública: Prefeito de São Paulo (2013-2017) e ministro da Educação (2005-2012)
Eleições disputadas: 2012 e 2016 (para a Prefeitura de São Paulo), 2018 (Presidência da República) e 2022 (governo do estado de São Paulo)

Primeiro, veio o novo arcabouço fiscal, anunciado em coletiva no dia 30 de março por Fernando Haddad e pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. A proposta, que ainda não tem data para ser votada pela Câmara após passar pelo Senado, estabelece um conjunto de regras que substituirão o teto de gastos e guiarão as contas públicas, atrelando as despesas ao crescimento das receitas. 

Meses depois, foi a vez da primeira parte da reforma tributária, que foi aprovada pela Câmara Federal no início de julho. Ambas as conquistas – em curtíssimo espaço de tempo – fizeram a popularidade de Haddad disparar no mercado financeiro.

Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, transmitido pela estatal EBC, no início de agosto, o ministro comenta o “choque de credibilidade” que sua equipe trouxe ao Brasil neste início do governo Lula. 

“Tivemos que tomar medidas duras do ponto de vista fiscal, para trazer o déficit público para um patamar cada vez menor, mirando o equilíbrio das contas públicas”, explicou Haddad, ao falar sobre a utilização da máquina pública do governo anterior na tentativa de reeleição, que sangrou mais de R$ 300 bilhões dos cofres públicos.

A seriedade do trabalho da equipe econômica e o sucesso das reformas até então reverteram a desconfiança que o fiel escudeiro de Lula provocava antes de assumir o atual Ministério da Fazenda. A seguir, saiba mais sobre a trajetória de Fernando Haddad.

Quem é Fernando Haddad

“O mais tucano dos petistas.” É assim que Fernando Haddad foi chamado durante muito tempo nas hostes do próprio partido, à medida que a atuação dentro do PT do advogado, professor de ciência política, mestre em Economia e doutor em Filosofia ganhava mais destaque e relevância. 

O tom professoral por meio do qual falava sobre questões nacionais e o perfil intelectualizado faziam de Haddad, segundo líderes do PT – entre os quais o próprio Luiz Inácio Lula da Silva –, um nome com potencial de ampliar o arco de apoio da legenda, atraindo setores da classe média paulistana e eleitores mais moderados. 

Esse é um dos atributos que levaram Lula a escolher Haddad como candidato do PT ao Palácio do Planalto, em 2018 (quando o ex-presidente estava preso), e ao governo de São Paulo, em 2022. A trajetória política de Haddad também contou com uma longa passagem pelo Ministério da Educação, entre 2005 e 2012, durante os governos de Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016), e pela Prefeitura de São Paulo (2013-2017). 

O paulistano Fernando Haddad nasceu no dia do aniversário da metrópole, em 25 de janeiro de 1963. Ele é filho de Khalil Haddad e Norma Thereza Goussain Haddad. Seu pai emigrou do Líbano em 1947 e se estabeleceu no novo país como comerciante atacadista do setor têxtil. 

Haddad passou a infância e adolescência no bairro Planalto Paulista, zona sul de São Paulo. Desde garoto, tomou gosto por atividades esportivas: conquistou a faixa preta no taekwondo, praticou kung fu, jogou futebol e chegou a ter algum destaque no handebol, pelo Esporte Clube Sírio. 

Em 1981, aos 18 anos, Haddad ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na Universidade de São Paulo (USP). Em 1988, aos 25 anos, casou-se com a dentista paulistana Ana Estela Haddad, com quem teria dois filhos (Frederico e Ana Carolina). 

No terceiro ano de faculdade, já nos estertores da ditadura militar, a trajetória de Haddad se cruzou, definitivamente, com a política. 

Formação acadêmica e militância

Fernando Haddad assumiu a presidência do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade de Direito da USP, em 1984, em plena mobilização das Diretas Já – pela retomada de eleições diretas para a Presidência da República. Ainda no início dos anos 1980, filiou-se ao recém-fundado Partido dos Trabalhadores (PT). 

Depois de concluir o curso de Direito e ter sido aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1986, Haddad fez mestrado em Economia, também pela USP. Ele passou um ano como aluno visitante da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), em 1989, elaborando sua tese, e concluiu o mestrado em 1990. Entre 1991 e 1996, fez doutorado em Filosofia na USP. 

A vitória de sua chapa em uma dura eleição no XI de Agosto despertou em Haddad o desejo de aprofundar sua atuação política, sem deixar de lado a formação acadêmica. Crítico de algumas teses caras ao chamado “socialismo real”, Haddad sempre foi de esquerda, mas tinha um perfil considerado heterodoxo e não dogmático.

A especialização em Economia o levou a trabalhar no ramo da incorporação e da construção civil, inicialmente ao lado de seu cunhado, o engenheiro Paulo Nazar. O petista também foi analista de investimentos do Unibanco e consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na qual ajudou a criar a Tabela Fipe – principal índice para verificação de preços de automóveis no país. 

Em 1997, foi aprovado em concurso para lecionar na USP. Aos 34 anos, tornava-se professor do Departamento de Ciência Política da universidade que o formou. 

A entrada de Fernando Haddad na vida pública

Os primeiros passos de Fernando Haddad na política coincidiram com um momento histórico e emblemático para o PT. Na eleição municipal de 2000, o partido de Lula assegurou sua volta ao comando da Prefeitura de São Paulo – a maior cidade do país já havia sido governada pela legenda de 1989 a 1992, na gestão de Luiz Erundina. 

Haddad foi convidado a assumir a chefia de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico, então sob comando de João Sayad. Ficou no cargo entre 2001 e 2003 e até ocupou interinamente a função de secretário em algumas ocasiões. 

Em junho de 2003, no início do primeiro governo Lula (2003-2006), Haddad foi nomeado assessor especial do Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão, então dirigido por Guido Mantega. Na nova função, foi responsável por implementar o projeto que viabilizou as parcerias público-privadas (PPPs) na gestão federal. 

Ministro da Educação

Em 2004, migrou para o Ministério da Educação (MEC), como secretário-executivo do então chefe da pasta, o petista Tarso Genro. Coordenou o grupo encarregado de apresentar um projeto de reforma universitária e levou a cabo uma das prioridades da pasta: o Programa Universidade para Todos (ProUni), que se converteria em uma das principais bandeiras dos governos do PT. 

Em julho de 2005, no auge da crise do mensalão, Tarso Genro teve de deixar o MEC para assumir a presidência nacional do PT e indicou Haddad para sucedê-lo como número 1 do ministério. Sob sua gestão, o ProUni se consolidou, ampliando a oferta de vagas no ensino superior em todo o país. Também implementou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

Outros projetos que marcaram o período de Haddad como ministro da Educação são o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) – que prevê o financiamento da educação superior a estudantes de baixa renda –, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), por meio do qual estudantes de escolas públicas podem usar suas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ingressar no ensino superior.

A gestão no MEC aproximou Haddad de Lula, então presidente da República e líder máximo do PT. Ele foi mantido no comando do ministério no início do primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff (2011-2014). 

Em janeiro de 2012, Haddad deixou o cargo, que passaria a ser ocupado por Aloizio Mercadante. Gozando de elevado prestígio junto a Lula, “o mais tucano dos petistas” se preparava para encarar um enorme desafio. 

Prefeito de São Paulo

Em 2012, o PT estabeleceu como prioridade retomar o governo da maior cidade do Brasil. Impulsionado pela alta popularidade do governo Dilma naquele momento, além da grande influência política de Lula como cabo eleitoral, Haddad foi designado para a tarefa. 

A escolha, mais uma vez, partiu de Lula e desagradou outra importante liderança petista em São Paulo: a ex-prefeita Marta Suplicy (2001-2004), derrotada em em 2004 e 2008, que desejava ser novamente candidata ao Executivo municipal. 

Haddad logo se firmou como o principal nome de oposição ao governo então capitaneado por Gilberto Kassab, que havia sucedido José Serra (PSDB) na prefeitura e liderava uma gestão rejeitada por grande parte do eleitorado paulistano. Coube ao próprio Serra ser o candidato do governo, mas Haddad levou a melhor: foi eleito no segundo turno com mais de 55% dos votos válidos (3,3 milhões). 

Em seu único mandato como prefeito de São Paulo, Haddad priorizou a mobilidade urbana. Desde o início da gestão, o petista deixou claro que daria preferência ao transporte público e coletivo em detrimento do transporte individual motorizado – o que o fez perder popularidade rapidamente. 

O governo Haddad criou novos corredores de ônibus, ciclovias e ciclofaixas, além de reduzir o limite de velocidade em ruas e avenidas de toda a cidade. O prefeito ainda sancionou um novo Plano Diretor para São Paulo e renegociou a dívida da administração municipal com a União. 

Apesar de ter recebido vários prêmios internacionais, sobretudo nas áreas de inovação e mobilidade urbana, o governo foi criticado pela falta de efetividade no combate às drogas – com o fracasso do programa “De Braços Abertos” na Cracolândia – e por pouco avançar em políticas públicas e ações para as regiões mais periféricas de São Paulo. Opositores do prefeito, inclusive à esquerda, o acusavam de privilegiar os bairros do centro expandido, mais bem servidos com ciclovias e espaços culturais, por exemplo. Haddad sempre rebateu as críticas. 

O petista também perdeu parte de sua base de apoio a partir de 2013, com as “Jornadas de Junho”, manifestações de rua deflagradas a partir de críticas de grupos de esquerda ao aumento de 20 centavos na tarifa do transporte público em São Paulo. O desgaste, que se estendeu para todas as esferas de governo e a classe política, também atingiu Haddad. 

Muito rejeitado por amplas parcelas da população paulistana, o prefeito não chegou sequer ao segundo turno na eleição de 2016, em que tentou conquistar o segundo mandato. Com o PT desgastado pelo impeachment de Dilma Rousseff naquele mesmo ano, Haddad teve pouco mais de 960 mil votos (16,7%), sendo derrotado por João Doria (PSDB), que recebeu mais de 3 milhões de votos (53,2%) em sua primeira disputa eleitoral. O petista não venceu em nenhuma zona eleitoral da cidade – nem mesmo em bairros da periferia, antigos redutos do PT na capital. 

Foi a primeira vez em que um candidato do PT à prefeitura de São Paulo não chegou ao segundo turno desde 1992, quando o modelo de duas votações passou a ser adotado. Em 2020, o feito se repetiria, com Jilmar Tatto (PT). 

Pesquisas do Datafolha divulgadas nos últimos meses de mandato apontaram que Haddad era o prefeito de São Paulo com a pior avaliação desde a gestão de Celso Pitta (1997-2000). O percentual dos paulistanos que reprovavam o governo petista se aproximava dos 50%, enquanto menos de 20% consideravam a gestão boa ou ótima. 

O nome de Lula contra Bolsonaro

Apesar da fragorosa derrota em São Paulo dois anos antes, Lula não teve dúvidas ao baixar a ordem que o PT obedeceria sem maiores contestações: Fernando Haddad deveria ser o candidato a vice-presidente em sua chapa nas eleições de 2018. 

Lula inicialmente se lançou como candidato ao Planalto, mas os planos acabaram mudando depois de sua condenação e prisão, em abril daquele ano, no âmbito da Operação Lava Jato. Aliás, há um detalhe curioso: além do apoio político a Lula, Haddad fez parte da equipe de advogados que defendeu o ex-presidente nos processos de que foi alvo. 

O PT concentrou, então, todas as suas forças em contestar a prisão de seu maior líder e denunciar o que chamou de perseguição dos procuradores da Lava Jato e do então juiz Sergio Moro, que condenou Lula. Ao mesmo tempo, o partido decidiu oficializar a candidatura do ex-presidente, com Haddad de vice, em agosto. O ex-prefeito de São Paulo representava Lula em eventos de campanha e entrevistas, o que acabou confundindo parte do eleitorado. 

Somente em setembro de 2018, a cerca de um mês do primeiro turno da eleição, o PT anunciou que Haddad assumiria a cabeça da chapa e teria Manuela D’Ávila (PCdoB) como candidata a vice. A decisão foi chancelada pelo próprio Lula, mas já era tarde demais. 

No primeiro turno, Haddad recebeu cerca de 31 milhões de votos (29,2%) e ainda conseguiu evitar a vitória de Jair Bolsonaro (46%) logo na primeira rodada. No segundo turno, porém, o petista foi derrotado: Bolsonaro teve mais de 55% dos votos, ante quase 45% do candidato do PT. 

Embora tenha amargado a segunda derrota eleitoral consecutiva, Haddad saiu maior daquela eleição, com os mais de 47 milhões de votos recebidos no segundo turno. Naquele momento, não havia mais dúvidas: o fiel escudeiro de Lula era um nome político nacional de peso, como o ex-presidente havia vislumbrado alguns anos antes, e estava talhado para outros desafios. 

Em 2022, Haddad foi o candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, mas perdeu no segundo turno contra o candidato Tarcísio de Freitas.

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